Breviário da Agonia

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o desejo de escrever um livro vem de longa data. comecei vários. não terminei nenhum. sobre vários temas, com vários personagens. a insatisfação que habita minha alma nunca deixava que prolongassem as páginas e as palavras morriam náufragas no mar de meus pensamentos. mas se há uma coisa que nos impulsiona são as decepções. e cheguei, até agora, à maior delas.

foi quando, numa conversa com minha irmã por sms, que decidi, de uma vez por todas, dar início e fim a um escrito. lembro com clareza da conversa.

“você se acha chato, mas sua vida daria um livro e tanto. você tem histórias bem legais pra contar.”

“chato eu sou. minha vida ser legal? você tá zoando da minha cara? o que tem de legal numa vida cheia de fracassos, derrotas, frustrações e decepções?”

“você sempre escreve sobre essas coisas, só não diz que é sobre você.”

aí eu fiquei num daqueles momentos que detesto: ficar calado por causa do que outra pessoa disse. sem saber o que dizer. mas ela tinha razão. ela tem razão. e isso foi o empurrão.

Breviário da Agonia é o título da minha história, que pode não ser muito atrativa e, na verdade, recomendaria até a quem desejar ler se ocupar com algo mais útil, mas também pode servir para alguém, sei lá. o que aprendemos nessa vida e podemos compartilhar deve ser sempre válido para alguma coisa.

viver com medo de errar, de se decepcionar, de se frustrar é querer abster-se de viver. e tendo encontrado tantas pessoas que tem o mesmo pensamento e se identificado comigo, creio que não será um projeto em vão.

e sei que todas as palavras que saem de mim, já não me pertencem mais, já não me definem, já não são mais parte de mim. são como os meus dias: folhas secas levadas pelo vento. uma morte diária. uma lembrança de vida.