espera

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Eu acordei fazendo uma careta. Sei, pois é a primeira coisa que eu faço todas as manhãs, já que desperto com a maldita dor no estômago. O que eu tenho no estômago? Não sei. E não vou ao médico exatamente pra não saber. Mas ela passa rápido. Assim que eu levanto, em uns 10 minutos, estou bem novamente. Sei que isso não é desculpa pra não me tratar, mas sinceramente eu não estou ligando.
Levantei-me e curvei o corpo na pequena pia que fica ao lado da cama. Joguei água no rosto e encarei o espelho. Rugas. Várias linhas no rosto. Na cabeça, parcos cabelos grisalhos nas têmporas, dando espaço pra a careca reluzente. 52 primaveras, dizia a minha vizinha. 52 malditas primaveras eu carrego no corpo. Mas ele ainda funciona.
Vesti a calça e a camisa de botão. Abri um pouco a janela e vi o sol iluminar tudo. As pessoas, na rua, com caras mal humoradas, andavam apressadas. Sai e tranquei a porta. Cumpriria minha rotina andando dois quarteirões até a padaria onde eu sempre tomo café. No caminho cumprimentei e fui cumprimentado pelas mesmas pessoas de todos os dias. Incluindo as mesmas que eu sequer sabia quem eram.